Elefante foi transferido após decisão definitiva da Justiça, mas parte dos manifestantes precisou ser afastada com spray de pimenta ao cercar caminhão de transporte.
A longa batalha jurídica envolvendo o futuro do elefante Sandro, de 54 anos, chegou ao seu desfecho mais tenso. No dia 16 de setembro de 2026, o animal deixou oficialmente o Parque Zoológico Municipal “Quinzinho de Barros” em uma megaoperação de transferência rumo a uma nova realidade. De acordo com informações e registros divulgados pelo instagram do Instituto Coliseu, a saída do mamífero foi marcada por forte comoção e tumulto: um grupo de moradores contrários à mudança cercou o caminhão de transporte, o que exigeu a intervenção da Polícia Militar, que utilizou spray de pimenta para dispersar a multidão e garantir a segurança do trajeto.
A transferência cumpriu uma determinação do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), motivada por uma ação do Ministério Público (MP) que se arrastava desde dezembro de 2020, logo após a morte de Haisa, a elefanta que dividiu o recinto com Sandro. Especialistas apontaram que o isolamento e as instalações aceleravam a piora física do animal. Tanto Sandro quanto sua antiga companheira contraíram quadros severos de artrose, uma doença degenerativa crônica nas articulações fortemente associada ao confinamento prolongado em superfícies rígidas e inadequadas para animais desse porte.
O Debate Técnico e o Veto aos R$ 700 mil
O caso ganhou enorme repercussão nas redes sociais com a participação de ativistas e técnicos. Em 29 de setembro de 2025, a influenciadora e defensora dos direitos dos animais, Luisa Mell, esteve presencialmente no zoológico de Sorocaba. Ela foi acompanhada pelo biólogo Igor Morais, que detalhou o impacto comportamental do isolamento no animal, desbancando o argumento de que elefantes machos vivem bem sozinhos. “Na natureza, eles vivem em conjunto”, explicou o biólogo, ressaltando o caráter altamente social da espécie.

Em postagens subsequentes nas redes sociais, Luisa Mell apontou que o elefante chegava a passar cerca de 15 horas confinado em um espaço reduzido (cambiamento) no qual mal conseguia se deitar. O biólogo Igor Morais reforçou a gravidade do cenário ao explicar um fato científico frequentemente ignorado: ao contrário do mito popular, elefantes dormem deitados quando se sentem seguros e quando o ambiente físico permite o repouso adequado. Estudos internacionais de biologia veterinária confirmam que, embora possam cochilar em pé, os elefantes precisam deitar-se para atingir o sono profundo (fase REM), o que se tornava impraticável em superfícies de concreto limitadas.
Outro ponto de forte embate exposto pelo biólogo envolveu a disparidade nos gastos públicos e propostas de reformas. Fontes oficiais confirmam que a Prefeitura de Sorocaba vetou uma emenda parlamentar no valor de R$ 700 mil que seria destinada especificamente para a reforma e adequação do recinto de Sandro. O Executivo justificou o veto sob a alegação de que já havia uma verba prevista de R$ 500 mil na Lei Orçamentária e que o remanejamento afetaria contratos de manejo, porém nenhuma obra de reestruturação foi executada no local.
Novo Lar e a Resistência de Sorocaba
O destino final de Sandro foi o Santuário de Elefantes Brasil (SEB), localizado na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso, uma instituição de referência internacional que oferece amplas áreas naturais e a oportunidade de convívio com outros indivíduos da mesma espécie.
Apesar de a viagem já ter sido concluída com sucesso e o animal já estar explorando seu novo lar, a Prefeitura de Sorocaba manteve sua postura de recorrer da decisão na tentativa de reverter judicialmente o caso, alegando os laços históricos do elefante com a cidade. O episódio encerra um ciclo de 44 anos de cativeiro municipal, deixando a opinião pública dividida entre a saudade dos moradores e o alívio das entidades de proteção animal.
Para quem deseja conferir mais detalhes e registros históricos sobre este trajeto, além de vídeos exclusivos do ambiente onde o animal viveu por quatro décadas, o perfil oficial do Instituto Coliseu no Instagram (@institutocoliseu) disponibilizou uma cobertura em vídeo detalhada sobre os bastidores desse caso histórico.

Contatos para a Imprensa:
Para atualizações sobre o período de adaptação do animal ou andamento dos recursos jurídicos, consulte a assessoria do Santuário de Elefantes Brasil (SEB) e as informações oficiais do Tribunal de Justiça de São Paulo.
















