Uma nova fresta para o que está acontecendo.

A ameaça virou realidade: Prefeitura de São Paulo autoriza edital e avança na privatização de escolas do Ensino Fundamental

Sindicato denuncia que “gestão compartilhada” repassará milhões a organizações privadas, expandindo a terceirização para o Ensino Fundamental, e aciona o Tribunal de Contas do Município (TCM-SP) para barrar o avanço do projeto

SÃO PAULO – O que a APROFEM (Sindicato dos Professores e Funcionários Municipais de São Paulo) vinha denunciando há anos deixou de ser apenas um projeto e tornou-se um ato administrativo concreto. O Governo Municipal publicou nesta quarta-feira (15/07) um despacho da Secretaria Municipal de Educação (SME) que autoriza a publicação de um Edital de Chamamento Público para selecionar Organizações da Sociedade Civil (OSCs) responsáveis por administrar três Escolas Municipais de Ensino Fundamental (EMEFs).

Para o Sindicato, o modelo vendido sob o discurso de “gestão compartilhada” ou “parceirização” é, na prática, a transferência deliberada da gestão pública para a iniciativa privada, abrindo um perigoso precedente para a destruição da rede direta de ensino.

Milhões para a iniciativa privada 

O despacho publicado prevê uma reserva orçamentária inicial de quase R$ 4 milhões (R$ 3.960.958,65) para a implantação do projeto ainda neste exercício. Contudo, informações de bastidores, que já estão circulando na mídia, indicam que o montante total dos contratos poderá ser dezenas de vezes superior ao valor agora reservado, o que será repassado às organizações privadas.

A APROFEM repudia o fato de que, enquanto milhares de Profissionais da Educação enfrentam falta de valorização, sobrecarga crônica de trabalho e carência estrutural, a Prefeitura opta por direcionar milhões de reais em recursos públicos para financiar um modelo terceirizado.

O avanço inaceitável sobre o Ensino Fundamental 

Outro ponto de extrema gravidade é a expansão deste formato. Historicamente, a terceirização em São Paulo esteve concentrada na Educação Infantil, por meio dos Centros de Educação Infantil (CEIs) da chamada “rede parceira”. Agora, o formato avança para o Ensino Fundamental (EMEFs), atingindo uma etapa estratégica da Educação Básica e reforçando o temor da categoria de que o modelo substitua progressivamente outras Unidades da Rede Municipal.

A Entidade alerta que essa manobra reduz o protagonismo do Poder Público, enfraquece o controle social sobre o uso das verbas e subordina a gestão educacional aos interesses do mercado privado. O tema, inclusive, já foi levado pela APROFEM à Câmara dos Deputados, em Brasília, onde o município de São Paulo foi citado como o principal exemplo negativo dessa renúncia do Estado à sua responsabilidade constitucional.

A autorização deste Edital prova que os nossos alertas nunca foram exagerados. O Governo está sucateando o serviço público como estratégia para justificar a privatização e desqualificar o trabalho de excelência que os servidores concursados realizam diariamente. A Educação Pública não pode ser transformada em oportunidade de negócios financiados com o nosso orçamento. O caminho para a qualidade passa por valorizar quem está na sala de aula e fortalecer a rede direta, e não por entregar nossas escolas na mão de terceiros.“, afirma o Professor Ismael Nery Palhares Junior, Presidente da APROFEM.

APROFEM aciona o Tribunal de Contas do Município (TCM-SP)

Diante da gravidade dos fatos, a APROFEM não ficará inerte. A Entidade acaba de protocolar um ofício (nº 044/2026) no Tribunal de Contas do Município de São Paulo (TCM-SP) requerendo a fiscalização urgente e a adoção de providências em relação ao Edital de Chamamento Público da SME. No documento, o Sindicato requer que o Tribunal examine a real motivação administrativa da Prefeitura, cobrando a apresentação de estudos técnicos, pedagógicos e financeiros que comprovem a suposta vantagem e economia de transferir a gestão à iniciativa privada em comparação com a execução direta pelo Município.

A APROFEM também alerta o TCM-SP sobre os graves riscos de impactos pedagógicos, a piora nas condições de trabalho dos profissionais e possíveis infrações na correta destinação dos recursos vinculados à Manutenção e Desenvolvimento do Ensino. O ofício solicita, ainda, que a SME seja notificada a apresentar suas justificativas técnicas antes do encerramento do prazo para o recebimento de propostas das OSCs, previsto para 14 de agosto de 2026.

O Sindicato reafirma seu compromisso inegociável com uma gestão educacional pública, 100% estatal e democrática, e convoca os servidores para se posicionar contra o avanço das terceirizações.

Link para vídeo no YouTube, com depoimento da Vice-Presidente, Margarida Prado Genofrehttps://youtu.be/MKq1s0Zf0io

 

Sobre a APROFEM 

Com uma história lastreada pelos princípios de independência e apartidarismo, a APROFEM representa atualmente mais de 60 mil filiados dentre servidores da ativa, aposentados e pensionistas. Cerca de 95% desse quadro é formado por Profissionais da Educação. Fundada em 1981 na Zona Leste de São Paulo, a APROFEM, com Sede própria na região da Bela Vista, oferece aos seus filiados prestação de serviços e atendimento profissional de reconhecida qualidade. Presidida pelo Professor Ismael Nery Palhares Junior, a APROFEM coordena o Fórum das Entidades Sindicais do Município de São Paulo e, dada sua representatividade, atua numa gama de outras instâncias que lutam para melhorar a realidade e futuro dos servidores municipais da Capital.

Para conhecer melhor o trabalho da APROFEM basta acessar o website https://www.aprofem.com.br ou seguir o perfil do Instagram https://www.instagram.com/aprofem

 

Rafaela Manzo
contato@rafaelamanzo.com.br